Como funciona a apuração da urna eletrônica? Especialistas explicam segurança e desmentem boatos
Especialistas explicam segurança e desmentem boatos de vídeo viral sobre urnas eletrônicas Um vídeo gravado pelo g1 Piracicaba no cartório eleitoral de Lim...
Especialistas explicam segurança e desmentem boatos de vídeo viral sobre urnas eletrônicas Um vídeo gravado pelo g1 Piracicaba no cartório eleitoral de Limeira (SP), durante a apuração dos votos neste domingo (4), teve mais de 11,4 milhões de visualizações em uma rede social nos últimos dias. A repercussão gerou dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, e as imagens também foram usadas por perfis na internet para espalhar desinformação. Para explicar como o processo funciona, o g1 foi ao cartório eleitoral de Limeira e conversou com a chefe do local, Fernanda Rocha. A reportagem também entrevistou o especialista em tecnologia do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Leandro Pegoraro das Neves. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Nesta reportagem, você verá: como funciona a urna eletrônica e o que é a mídia de resultado; o que acontece com os dados depois do fim da votação; por que a leitura das mídias no cartório é feita tão rápido; se é possível repetir a leitura da mesma mídia ou alterar arquivos; o que ocorre se uma mídia for perdida; como é feita a transmissão dos resultados para o sistema geral; 1.Urna funciona como uma 'calculadora' Rocha explicou que o funcionamento da urna eletrônica é parecido com uma calculadora antiga que imprime comprovantes em papel. A diferença é que, além de emitir o boletim de urna, a urna também tem uma memória digital interna para armazenar os resultados com rapidez e segurança. A memória interna se chama 'mídia de resultado'. É uma espécie de 'pendrive' da Justiça Eleitoral. No cartório em Limeira, há mídias de resultado de diversas cores e capacidades de armazenamento. O processo atual tem auditorias públicas antes, durante e depois da eleição. Também há acompanhamento de entidades fiscalizadoras, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os partidos políticos também participam do processo. Demonstração do fluxo de votação das Eleições 2026 e apresentação sobre novidades na fiscalização do derrame de santinhos, nesta quinta feira (24), na sede do TRE-SP, centro da capital, SP. Na foto a urna eletrônica. ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO 2.Hora da votação Todo o processo de armazenamento, transporte e permanência das urnas é feito com policiais. No dia da eleição, é emitida a 'zerésima', um boletim de urna que comprova que não há votos registrados para nenhum candidato naquela máquina. Quando a votação termina, a urna faz a apuração da seção, imprime ao menos cinco vias do boletim de urna, que detalha os votos daquela máquina, e grava os arquivos digitais na mídia de resultado. Os boletins de urna de cada seção ficam disponíveis para a consulta da população. Com isso, as mídias de resultado são recolhidas, lacradas em envelopes e levadas sob escolta policial até o cartório eleitoral, onde ocorrerá a apuração dos votos. Boletins de urna da Zona Eleitoral 066 de Limeira Yasmin Moscoski/g1 3. Questionamentos sobre a apuração No vídeo que circulou nas redes sociais, a servidora do cartório aparece conectando e retirando as mídias de resultado rapidamente de um computador. O especialista de tecnologia do TRE-SP explicou que essa velocidade faz parte do sistema e foi pensada para dar agilidade à apuração. "Esse sistema transportador é feito com um mecanismo chamado hot swap [troca rápida a quente], justamente para agilizar a leitura [...] Você coloca a mídia, o próprio sistema percebe que ela está lá, faz a validação dos resultados e realiza a transmissão. Foi feito para ser rápido mesmo", explica Leandro. Mídia de resultado de urna eletrônica Yasmin Moscoski/g1 É possível repetir a mesma mídia? O especialista explicou que não é possível descarregar mais de uma vez a mesma mídia de urna no sistema. '[Se tentar passar] na mesma máquina, o próprio sistema transportador vai informar que já foi lida. Em outra máquina, o sistema de totalização, vai rejeitar esse resultado por sobreposição. Ele vai dizer 'olha, já recebi esse resultado então eu não vou aceitar porque já recebi e já processei essa mídia de resultado'", explica. Em Limeira, Fernanda explicou que há apenas dois computadores que têm acesso ao sistema de transportador do Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, afirmou que os computadores só são manuseados com a presença e senhas do juiz eleitoral. Trecho de vídeo em que servidora pública passa votos de mídia de resultado para sistema do TSE g1 Piracicaba E se o 'pendrive' for trocado por um arquivo modificado? O arquivo é rejeitado na hora, afirmou Leandro. Cada urna tem um certificado digital e gera assinaturas de segurança por hardware e software, com uso de criptografia assimétrica. "Se o conteúdo estiver alterado ou se a assinatura, se a chave privada daquela urna eletrônica for uma outra que não a original, o sistema o transportador já rejeita na hora. Ele nem lê o arquivo. Ainda que se consigam transmitir até o sistema de totalização, o sistema de totalização também vai rejeitar porque essa assinatura não vai bater", informa. Equipe do cartório de Limeira inicia geração de dados das mídias de urna para o TSE O que acontece se uma mídia for perdida no transporte? Se houver algum imprevisto ou extravio das mídia, a Justiça Eleitoral aciona protocolos de segurança para que nenhum voto seja perdido. Recuperador de Dados (RED): a própria urna eletrônica tem um aplicativo interno que, quando ativado por uma mídia de aplicação, grava novamente os resultados da seção em um novo dispositivo. Sistema de apuração pelo BU impresso: se a urna e a mídia forem destruídas, o cartório usa uma das vias impressas do boletim de urna. Depois, os dados são digitados em um sistema específico, que valida a autenticidade das informações por meio de chaves de segurança antes de transmiti-las ao TSE. Primeira urna a chegar para apuração em Limeira é da E.M.E.I.E.F Prof Noedir Tadeu Santini, do Parque Nossa Senhora das Dores, da zona 66. João Paulo Baxega/g1 Transmissão sem internet e por rede privada virtual A urna eletrônica não tem placa de rede, Wi-Fi nem Bluetooth. A transmissão dos resultados é feita em computadores específicos do cartório, por meio de uma rede privada virtual, exclusiva da Justiça Eleitoral, informou o especialista. Histórico de 30 anos sem fraudes Neves afirmou que a urna eletrônica completou 30 anos de uso no Brasil sem nenhum caso comprovado de fraude. Segundo ele, o sistema substituiu o voto em papel, que era mais vulnerável a adulterações e ao extravio de urnas de lona. "Esse sistema foi uma resposta às inúmeras fraudes que tinham antes, durante e depois das eleições com voto impresso. Antes da eleição, havia urnas de lona com votos lá dentro. Se sumir a urna, some o papel. Não tem todos esses mecanismos de segurança que a urna eletrônica permite", afirma. Uma partida de tênis e um grupo de ‘ninjas’: como foi desenvolvida a urna eletrônica usada nas eleições e que completa 30 anos 30 anos da urna eletrônica: como evoluiu nas eleições brasileiras VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba