De raridades a lendas: entenda como colecionismo de cartões telefônicos resiste em meio ao fim dos orelhões
Colecionador de cartões telefônicos comenta história de raridades Embora seja um ponto final para os aparelhos, a remoção de todos os orelhões do Brasil, ...
Colecionador de cartões telefônicos comenta história de raridades Embora seja um ponto final para os aparelhos, a remoção de todos os orelhões do Brasil, que começou neste mês, não abala outro mercado que tem relação direta com a história dos telefones públicos: o dos colecionadores de cartões telefônicos. 🔎 Populares nos anos 90, os cartões telefônicos eram utilizados como meio de pagamento para realizar ligações nos orelhões. Eles eram inseridos no telefone público antes da chamada e suas unidades eram consumidas conforme o tempo da ligação. Um grupo em aplicativo de troca de mensagens ao qual o g1 teve acesso concentra mais de mil mensagens diárias entre pessoas que chegam a negociar cartões raros por valores que chegam a R$ 10 mil. Uma dessas pessoas é Tarcísio Coelho Soares, de 53 anos, de Piracicaba (SP). A telecartofilia - como é chamado esse tipo de colecionismo - surgiu na vida dele depois da tentativa de colecionar latinhas de refrigerante e cerveja. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Coleção dourada da Turma da Mônica Rodrigo Pereira/ g1 "E latinha ocupa muito espaço. Você imagina você ter mais de mil latinhas dentro de uma casa, como que fica aquilo. E minha esposa, um dia no meu aniversário, chegou com 220 cartões de telefone e falou: 'colecione isso aqui que é mais saudável'", recorda. Hoje, ele soma 1,5 milhão de cartões telefônicos. "Na coleção, eu tenho praticamente todos [os cartões]. Dos raros, me falta um cartão. Eu tenho praticamente todos. Para não parar, eu estou começando a segunda coleção", conta Tarcísio. Fonte de renda Apesar da preocupação inicial com o espaço ocupado pelas latinhas, as pastas com cartões ocupam estantes em dois quartos da chácara onde mora Tarcísio. Uma chácara comprada, justamente, com a renda obtida através da venda de cartões. Isso porque ele teve uma loja onde começou vendendo esses materiais para colecionadores, mas passou a vender para o público em geral, interessado nos créditos para realizar ligações nos orelhões. Cartão com foto de Romário durante partida da seleção brasileira Rodrigo Pereira/ g1 Raridades Diferentes características fazem de um cartão raro, segundo Tarcísio, como o fato de existirem poucas cópias disponíveis ou defeitos de fabricação que tornam a unidade única. Em alguns casos, são cartões que sequer chegaram a circular, como a coleção dourada da Turma da Mônica. "É um sonho de qualquer colecionador. Uma série dessa aqui [custa] por volta de R$ 10 mil", revela. Mas, se não circulou, como chega até os colecionadores? Segundo Tarcísio, isso ocorria por meio de funcionários que retiravam os materiais de dentro da fábrica. "Consegue acesso porque sempre alguém sai lá de dentro, alguém tira lá de dentro esses cartões [...] Pelas histórias que a gente tem, era tirado dentro do maço de cigarro", detalha. Morador de Piracicaba coleciona cartões há 28 anos Rodrigo Pereira/ g1 Lendas da telecartofilia Entre outras raridades, ele também cita o mico-leão-dourado da coleção da Eco 92, um com uma foto do Rio Tocantins e outro com a vista de um mirante. Outro com poucas unidades conhecidas tem a imagem de uma orelha. O motivo de ter desaparecido, mesmo após tiragem de 50 mil unidades, é desconhecido. Porém, como outros, é cercado de lendas, como a de que houve recolhimento e destruição do lote por falta de pagamento. Por esse motivo, hoje é avaliado em R$ 7.500. Outra raridade que Tarcísio exibe contando uma história curiosa é um cartão telefônico com estampas de jogadores do Barcelona que ele afirma que foi barrado porque não teve autorização do clube de futebol. "Brasileiro ele quer tirar vantagem em tudo, né? Ele faz um cartão no Barcelona e não pede autorização [...] Foi recolhido. Esse de 40 [unidades], que eu conheço, três pessoas têm. Eu e mais três pessoas. É um cartão que vale facilmente R$ 3 mil", calcula. Cobertura de orelhão na chácara de Tarcísio, em Piracicaba Rodrigo Pereira/ g1 Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba