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Eleição brasileira começa primeiro na Nova Zelândia e termina no Canadá; entenda o voto no exterior

Urna eletrônica TSE A eleição brasileira começa ainda no sábado (3), pelo horário de Brasília, para quem vota na Nova Zelândia, e só termina na noite d...

Eleição brasileira começa primeiro na Nova Zelândia e termina no Canadá; entenda o voto no exterior
Eleição brasileira começa primeiro na Nova Zelândia e termina no Canadá; entenda o voto no exterior (Foto: Reprodução)

Urna eletrônica TSE A eleição brasileira começa ainda no sábado (3), pelo horário de Brasília, para quem vota na Nova Zelândia, e só termina na noite de domingo (4), no Canadá. Por causa dos fusos horários, a votação no exterior se estende por mais de 29 horas: vai das 16h de sábado às 21h de domingo, sempre pelo horário de Brasília. No Brasil, a votação será realizada das 8h às 17h. No 1º turno das eleições de 2026, quase 1 milhão de brasileiros poderão votar fora do país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 918,9 mil eleitores registrados e aptos, número 31,8% maior que o de 2022, quando havia 697,1 mil. O eleitorado no exterior é uma fração pequena do total nacional (0,58% dos 158,7 milhões de eleitores do Brasil), mas concentrado: um pequeno grupo de cidades reúne boa parte dos votos brasileiros fora do país. E o perfil desse eleitor é diferente do brasileiro médio: mais escolarizado, solteiro e com uma dependência de biometria muito menor. A faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa, com 124.782 pessoas. O campo de raça ou cor aparece como “não informado” em 556.966 cadastros, o equivalente a 60,6% (leia mais abaixo). Agora no g1 Onde estão os eleitores que votam fora do Brasil? De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, a cidade com maior aumento no número de brasileiros aptos a votar em relação às eleições de 2022 é Lisboa, em Portugal. Passou de 45,3 mil para mais de 78 mil, crescimento de 74,1%. Isso acontece principalmente por causa da imigração. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, os brasileiros são a maioria entre os imigrantes regulares do país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195, conforme relatório divulgado em junho deste ano. Ainda assim, considerando todas as cidades, os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de eleitores brasileiros cadastrados. Eram 182.986 em 2022, e neste ano são 265.437. Veja as 10 cidades no exterior com maior eleitorado brasileiro: Lisboa, Portugal: 78.833 eleitores (aumentou 74,1% em relação ao pleito de 2022) Boston, Estados Unidos: 53.406 (aumentou 43,7%) Porto, Portugal: 47.676 (aumentou 58,4%) Nagóia, Japão: 44.570 (aumentou 25,0%) Miami, Estados Unidos: 40.104 (diminuiu 0,21%) Nova York, Estados Unidos: 39.026 (aumentou 39,7%) Londres, Inglaterra: 37.564 (aumentou 8,9%) Tóquio, Japão: 30.062 (aumentou 4,6%) Paris, França: 27.062 (aumentou 19,6%) Orlando, Estados Unidos: 26.411 (sem informação) Portugal e Estados Unidos dominam a lista, refletindo os dois principais destinos históricos da emigração brasileira. Mas a presença de Nagóia e Tóquio no top 10 chama atenção: as duas cidades japonesas, somadas a Hamamatsu (13,7 mil eleitores, 25ª colocada), reúnem quase 89 mil eleitores. Os dez maiores locais de votação concentram 424.714 eleitores, o equivalente a 46,2% de todo o eleitorado brasileiro no exterior. Considerando os 20 maiores, a proporção sobe para 66,7%. Ao todo, os registros do TSE abrangem 186 localidades fora do país. Veja os países com maiores quantidade de eleitores. Juntos, eles representam 82% do eleitorado no exterior: Estados Unidos: 265,4 mil eleitores (28,89% do total) Portugal: 134,7 mil (14,67%) Japão: 88,4 mil (9,62%) Canadá: 46,5 mil (5,06%) Alemanha: 41,5 mil (4,52%) Espanha: 40,8 mil (4,44%) Itália: 38,8 mil (4,23%) Reino Unido: 37,6 mil (4,09%) França: 29,7 mil (3,24%) Suíça: 27 mil (2,94%) Apoiadores de Lula e de Bolsonaro em Londres demonstram apoio político ao votar na Inglaterra Gabriel Araujo von Winckler/Arquivo Pessoal O crescimento do eleitorado não significa, necessariamente, que o número de brasileiros que vivem no exterior tenha aumentado na mesma proporção. A variação também pode refletir novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais. 🗳️Por outro lado, há locais de votação com menos de uma dezena de eleitores. É o caso de Dacca e Pyongyang , cidades asiáticas localizadas em Bangladesh e Coreia do Norte, respectivamente; e as sul-americanas Cobija (Bolívia) e Santa Elena de Uairen (Venezuela). Todas aparecem nos registros do TSE com apenas um eleitor. 1 eleitor: Dacca (Bangladesh), Saint Johns, Cobija (Bolívia), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Pyongyang (Coreia do Norte); 2 eleitores: Brazzaville (Congo); 3 eleitores: Abuja (Nigéria) e Adis Beba (Etiópia); 5 eleitores: Conacri (Guiná), Baku (Azerbaijão), Malabo (Guiné Equatorial), Bamako (Mali); 6 eleitores: Uagadugu (Burkina Faso), Lilongue (Malauí), Yangon (Myanmar); 7 eleitores: Harare (Zimbábue), Lome (Togo), Castries (Ilha de Santa Lúcia); 8 eleitores: Cotonou (Benim), Puerto Quijarro (Bolívia); 9 eleitores: Tirana (Albania); 10 eleitores: Gaborone (Botsuana), Bagdá (Iraque), St. Georges de Loyapock (Guiana Francesa) 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Relembre: Brasileiros que residem no exterior fazem questão de votar nas eleições Orçamento para organizar a votação Geralmente, as seções eleitorais (locais de votação) no exterior são montadas em embaixadas ou escritórios consulares. Mas nem sempre os espaços dão conta de toda a movimentação. Por isso, o TSE aprovou em abril deste ano uma verba de R$ 13,2 milhões para a locação de imóveis em outros países, a pedido do Ministério das Relações Exteriores. Um documento obtido pelo g1 mostra que o Itamaraty trabalha com 66 endereços a mais no pleito deste ano: 14 deles são nos Estados Unidos, e, destes, 3 deles estão na cidade de Boston. O Japão é o segundo país com mais seções alugadas, com 8 locais previstos. Destes, 5 são em Nagóia, quarta cidade com mais eleitores brasileiros em 2026. As regras no exterior são as mesmas do Brasil. O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas e maiores de 18 anos, e opcional para analfabetos, maiores de 70 anos e pessoas entre 16 e 17 anos. A diferença é que, fora do país, os brasileiros votam apenas para presidente, e não para governador, senador e deputado. Mulheres são maioria, mas eleitorado masculino cresce mais As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores cadastrados fora do país. O número passou de 408.055, em 2022, para 527.734, em 2026 — um crescimento de 29,3%. Entre os homens, o total subiu de 289.023 para 391.142 no mesmo período, uma alta de 35,3%. Mulheres continuam como maioria no eleitorado no exterior e no eleitorado total de 2026 Kayan Albertin - Arte/g1 Em 2022, elas representavam 58,5% dos eleitores no exterior. Em 2026, essa participação passou para 57,4%. A parcela masculina aumentou de 41,5% para 42,6%. Faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa Os eleitores de 40 a 44 anos formam o maior grupo etário no exterior, com 124.782 pessoas. Em 2022, eram 100.481 — uma alta de 24,2%. A segunda faixa mais numerosa passou a ser a de 45 a 49 anos, com 116.267 eleitores. Esse grupo cresceu 44,6% na comparação com 2022, quando reunia 80.419 pessoas. Faixa etária do eleitorado brasileiro no exterior Kayan Albertin - Arte/g1 Na sequência aparecem os eleitores de 35 a 39 anos, com 115.044; de 30 a 34 anos, com 97.966; e de 50 a 54 anos, com 88.917. Entre as faixas mais jovens, o grupo de 21 a 24 anos registrou crescimento de 66,6%, passando de 39.131 para 65.195 eleitores. Raça ou cor não foi informada em 61% dos cadastros A raça ou cor aparece como “não informada” no cadastro de 556.966 eleitores no exterior, o equivalente a 60,6% do total. Entre os registros com essa informação, a categoria "branca" é a mais frequente, com 233.202 eleitores. Em seguida aparecem "parda", com 89.277; "amarela", com 21.170; "preta", com 17.661; e "indígena", com 600. Na base de comparação de 2022, todos os 697.078 registros apareciam sem raça ou cor informada. Por isso, não é possível medir a evolução de cada grupo racial entre as duas eleições. Grande maioria brasileiro do eleitorado no exterior não informou sua raça ao TSE Kayan Albertin - Arte/g1 Número de eleitores com deficiência aumenta 86% O número de eleitores no exterior que declararam alguma deficiência passou de 3.561, em 2022, para 6.614, em 2026. O crescimento foi de 85,7%. Esses registros representam 0,72% do eleitorado no exterior. Os números correspondem às informações declaradas no cadastro eleitoral e podem não representar a quantidade total de brasileiros com deficiência que vivem fora do país. A base também contabiliza 369 pessoas que utilizam nome social — usado por pessoas trans para se identificarem e serem reconhecidas socialmente. Em 2022, eram nove registros. Variações nessas categorias podem refletir não apenas o crescimento do eleitorado, mas também atualizações e novos preenchimentos do cadastro. Eleições de 2022 Na eleição presidencial de 2022, Lisboa foi o maior colégio eleitoral fora do Brasil, com 45.273 pessoas aptas a votar. Na sequência vinham Miami e Boston, nos EUA, e Nagóia, no Japão. Naquele ano, Jair Bolsonaro foi o mais votado nos Estados Unidos e no Japão, e Lula venceu em Portugal e na Alemanha. Veja os números em cada país.