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'Eu só peço que olhem como um alerta', diz mãe de menina de 13 anos induzida ao suicídio no Discord

Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias A mãe da adolescente de 13 anos que morreu após ser induzida ao suicídio por um grupo de jovens...

'Eu só peço que olhem como um alerta', diz mãe de menina de 13 anos induzida ao suicídio no Discord
'Eu só peço que olhem como um alerta', diz mãe de menina de 13 anos induzida ao suicídio no Discord (Foto: Reprodução)

Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias A mãe da adolescente de 13 anos que morreu após ser induzida ao suicídio por um grupo de jovens na internet fez um apelo para que pais e responsáveis fiquem atentos à rotina dos filhos no ambiente virtual. O crime ocorreu durante uma transmissão ao vivo no Discord. 🔎 O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Em entrevista exclusiva ao g1, mãe fez um apelo para que outras famílias conversem com seus filhos sobre os riscos presentes no ambiente virtual. "Eu só peço que as pessoas olhem para esse caso como um alerta. Minha filha não era uma menina problemática. Era feliz, educada, carinhosa e cheia de sonhos. Mesmo assim, foi vítima de pessoas que se aproveitaram da vulnerabilidade dela pela internet”. Ela contou que saber que a filha foi vitimada por criminosos pelas redes sociais tornou a dor da perda ainda mais difícil de aceitar. "Além da dor imensa da perda, veio o sentimento de impotência por saber que pessoas tiveram participação nisso", desabafou. Apesar do sofrimento, ela espera que a tragédia sirva de conscientização e ajude a salvar outras famílias. "Não existe prisão que traga minha filha de volta ou diminua a saudade. Mas espero que a responsabilização sirva para impedir que outras famílias passem pela mesma tragédia. Tenho consciência de que a morte dela salvou muitas outras vidas que estavam na mira desse grupo", afirmou. Equipamentos utilizados para crimes foram apreendidos Reprodução/PCMS Nenhuma mudança de comportamento Ao falar sobre a rotina da família, a mãe relembrou a personalidade alegre da filha, que ajudava no cuidado com o irmão de cinco anos e era dedicada aos estudos. Ela enfatizou que nunca percebeu alterações de comportamento que acendessem o alerta. "Teve uma infância muito bonita. Gostava de fazer as pessoas sorrirem. Ela sempre foi educada, nunca me respondeu ou me tratou de forma diferente", disse. A última conversa entre as duas permanece viva na memória: "A última vez que a vi em vida ela estava no quarto fazendo chapinha no cabelo. Chamei para ir jantar e depois lavar a louça para mim, porque eu estava muito cansada. Ela sorriu para mim, disse que já iria e me mandou um beijo." Suspensão de transmissões no Discord Após os desdobramentos do caso de Mato Grosso do Sul, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em todo o território nacional. A medida preventiva estabelece o prazo de três dias úteis para cumprimento e valerá até que a empresa comprove a adoção de mecanismos eficazes para a proteção de crianças e adolescentes na rede. LEIA TAMBÉM Grupo suspeito de induzir menina ao suicídio fez mais vítimas e forçava outras violências 'Escravização virtual': polícia revela esquema usado para induzir menina de 13 anos ao suicídio em MS Relembre caso da menina de 13 anos induzida ao suicídio por grupo no Discord 'Escravização virtual' e atuação policial As investigações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apontam que a jovem foi vítima de uma rede de "escravização virtual". No dia 4 de agosto, uma operação coordenada prendeu um jovem de 18 anos e apreendeu cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, no Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. A delegada titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Karine Sanches, explicou que o grupo utilizava técnicas de engenharia social para capturar meninas com perfis públicos nas redes. Após mapearem a rotina e os gostos da vítima, os criminosos criavam perfis falsos, ganhavam a confiança das adolescentes e as migravam para plataformas com pouca moderação, como o Discord e o Telegram. A partir da obtenção de dados e fotos pessoais, passavam a fazer chantagens, obrigando-as a cumprir desafios de violência extrema e automutilação. Com os investigados, a Polícia Civil e o Ministério da Justiça apreenderam materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil. A operação também revelou que a menina de Naviraí não era a única vítima. Outra adolescente teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante uma transmissão, mas deixou a chamada. Segundo a investigação, o grupo ainda planejava uma nova ação contra outra vítima. Durante coletiva sobre o caso, o coordenador do Ciberlab, Alessandro Barreto, classificou o que foi encontrado como um “espetáculo de horrores”. Segundo ele, após uma das transmissões, integrantes do grupo chegaram a fazer uma enquete perguntando se os participantes queriam mais e planejavam uma nova ação para o dia seguinte. Alerta da polícia aos pais A delegada Karine Sanches reforçou o apelo da mãe da vítima sobre a necessidade de supervisão constante: Controle parental: O uso de softwares de monitoramento dificulta a aproximação de criminosos virtuais. Acompanhamento de rotina: Pais devem saber quais aplicativos os filhos utilizam e com quem interagem. Proteção x Privacidade: Acompanhar a atividade digital de crianças e adolescentes não representa invasão de privacidade, mas uma medida fundamental de segurança. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: