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Filho de piloto morto em queda de helicóptero lembra último churrasco com o pai: ‘Meu pai era o meu melhor amigo’

Filho de piloto morto em queda de helicóptero no Rio antecipou Dia dos Pais com o pai Sven Rocha dos Santos, filho do piloto de helicóptero Alessandro Rocha, ...

Filho de piloto morto em queda de helicóptero lembra último churrasco com o pai: ‘Meu pai era o meu melhor amigo’
Filho de piloto morto em queda de helicóptero lembra último churrasco com o pai: ‘Meu pai era o meu melhor amigo’ (Foto: Reprodução)

Filho de piloto morto em queda de helicóptero no Rio antecipou Dia dos Pais com o pai Sven Rocha dos Santos, filho do piloto de helicóptero Alessandro Rocha, lembrou, durante o velório, de um dos últimos momentos que teve com o pai. Segundo ele, os dois haviam combinado de fazer um churrasco na quinta-feira, dois dias antes do acidente. Sven foi ao mercado com a noiva, Júlia, comprou os ingredientes e preparou a refeição com o pai. “No domingo eu teria um evento e eu não conseguia encontrar ele, então falei: 'Pai, vamos fazer um churrasco na quinta-feira?'. Aí fui com a minha noiva, fomos no mercado, compramos tudo para o churrasco e fizemos juntos.” O corpo do piloto Alessandro Rocha, uma das quatro vítimas da queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa foi enterrado nesta segunda-feira (10), em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Sven contou que, apesar de ser uma pessoa animada e acostumada a participar de todos os preparativos, Alessandro normalmente não deixava os filhos assumirem as tarefas do churrasco. Naquele dia, porém, o filho fez tudo. “E uma coisa engraçada é que meu pai, ele é uma pessoa muito animada e ele botava a mão na massa, então ele não deixava acender churrasqueira, não deixava cortar carne, não deixava fazer nada. E nesse dia em específico, eu fiz tudo.” Sven no sepultamento do pai Raoni Alves/g1 Para Sven, aquele momento acabou se tornando a última refeição que os dois fariam juntos. “Eu e a Júlia, nós tivemos a oportunidade de servir aí a a última refeição que nós teríamos juntos. E foi um momento muito bom” Emocionado, ele falou sobre a relação de proximidade que tinha com o pai desde a infância. “Com o meu pai era isso, nós éramos família. Eu abraçava meu pai, eu beijava meu pai. Eu lembro de quando eu era criança, eu acordava com massagem dele, eu dormia com massagem dele”. Sven também falou sobre a relação de Alessandro com os outros filhos mais novos, Maria de 3 anos e Benicio de 5 meses. “A Maria é apaixonada nele. Meu pai, ele conseguiu criar a Maria... a Maria ouvia o o assobio dele e ela já vinha: 'Pai, pai, pai!'.” Rocha foi enterrado após homenagens de parentes e amigos e sob aplausos. O caixão foi coberto por uma bandeira do Fluminense. Antes do enterro, parentes cantaram um louvor. Filho e irmão de Alessandro Rocha se despedem Raoni Alves/g1 Alessandro Rocha foi lembrado durante o velório por colegas da aviação. O piloto Ramisses Freitas contou que conhecia Rocha havia cerca de dez anos e que chegou a ser instruído por ele. Os dois também voaram juntos. “Sou piloto, é, sou piloto e ele foi meu instrutor há 10 anos, conseguimos fazer a parte de navegação, nós voamos juntos. Ele era uma pessoa extremamente profissional, um ser humano muito família, muito criterioso, uma pessoa amável, onde chegava contagiava”. Segundo Ramisses, Rocha também tinha experiência em operações internacionais e chegou a participar da transferência de uma aeronave dos Estados Unidos para o Brasil. “É... Eu acredito que vai fazer muita, mas muita falta para a família e também para a aviação, porque ele era muito querido no meio. Uma pessoa que chegou a fazer... A trazer aeronave dos Estados Unidos para cá, um 166. É... Voamos muitas e muitas vezes, me passou tudo o que ele... Que ele podia me passar, muito generoso. E... Vai fazer muita falta. Vai fazer muita falta.” Piloto Ramisses Freitas no velório do colega Raoni Alves/g1 Amiga da família, Marilene Claro contou que a trajetória de Alessandro Rocha até se tornar piloto começou ainda na infância, em São Gonçalo. Segundo ela, o piloto vinha de uma família humilde e contou com o apoio da mãe, que era merendeira, e da irmã para conseguir fazer o curso e aprender inglês. “Ele é uma dessas histórias de São Gonçalo, né? Um menino de família pobre, a mãe merendeira… A mãe e a irmã batalharam para que ele pudesse sonhar e ter o sonho de ser piloto. Então, a família se juntou para que ele pudesse realizar o sonho de ser piloto.” Segundo Marilene, a formação profissional exigiu um esforço de toda a família. Ela afirmou que Alessandro se tornou um piloto reconhecido e que chegou a fundar a própria escola. “Então, hoje aqui, morre um pai de família, um filho, mas também alguém que é de São Gonçalo, que batalhou, que superou os desafios, as adversidades e realizou o sonho de ser piloto.” Piloto de helicóptero que caiu na Vista Chinesa é sepultado em São Gonçalo Raoni Alves/g1 Ela também destacou o legado profissional deixado por Alessandro. “Então, isso também a gente tem que deixar aqui, porque ele morre deixando um legado. É um menino de família pobre que superou, venceu seus desafios e realizou o sonho. Ele morreu fazendo o que amava, mas porque teve uma família que também acreditou no sonho dele e que ele pôde realizar.” Marilene também falou sobre a relação de Alessandro com os filhos, sobrinhos e outros familiares. Segundo ela, o piloto era conhecido pelo jeito alegre e pela preocupação com as pessoas ao redor. “Ele era muito família, é uma família muito unida. É uma família muito unida. Ele amava os filhos e os sobrinhos e ele era a tradução de alegria.” Ela afirmou ainda que Alessandro tinha como característica a disposição para ajudar outras pessoas. “Aonde ele chegasse era uma alegria contagiante, era uma pessoa sempre preocupada com o próximo, que é uma característica da família.” Para Marilene, a história de Alessandro também deixa um exemplo para os filhos. “O que os filhos dele vão ter é um exemplo que ele deixou, é o legado que ele deixou.” Piloto de helicóptero que caiu na Vista Chinesa é velado em São Gonçalo Reprodução/Raoni Alves Filho diz que piloto comemorava oportunidade na empresa Sven Rocha dos Santos, filho de Alessandro, esteve no Instituto Médico-Legal (IML) para acompanhar os procedimentos relacionados ao corpo do pai. Segundo ele, o piloto havia ingressado recentemente na empresa responsável pela aeronave. “Ele estava lá havia pouco tempo e comemorava muito essa oportunidade”, disse Sven. Alessandro foi, até o momento, o único dos quatro mortos oficialmente identificado. Os corpos das três turistas colombianas permanecem no IML, no Centro do Rio. Pai e filho anteciparam Dia dos Pais O filho do piloto passou a manhã do Dia dos Pais no Instituto Médico-Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo do pai. Segundo Sven Rocha dos Santos, filho mais velho de Alessandro Rocha, os dois anteciparam a comemoração e fizeram um churrasco na quinta-feira (6). “Eu estaria em um evento e não conseguiria passar o Dia dos Pais com ele. Mas adiantamos para quinta-feira. Estava com a minha noiva, passamos no supermercado, compramos carne, linguiça, pão e franguinho e fizemos um churrasco em família junto, graças a Deus”. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Sven contou que estava almoçando neste sábado (8) quando recebeu uma ligação de um amigo. A forma como o amigo falou fez com que ele desconfiasse imediatamente de que algo grave havia acontecido. Naquele momento, uma televisão exibia a notícia sobre a queda de um helicóptero. “Pela entonação da voz, eu achei esquisito e tinha uma televisão na frente e vi acidente de helicóptero e falei: ‘Meu pai morreu’”. Alessandro Rocha era o piloto do helicóptero que caiu neste sábado no Rio Reprodução redes sociais Segundo Sven, o pai era um piloto experiente e instrutor havia mais de 20 anos. Para ele, o voo panorâmico realizado no sábado era apenas mais um entre os muitos que Alessandro já havia feito ao longo da carreira. “Meu pai é instrutor há mais de 20 anos, acumula muitas horas de voo. Desde que me entendo por gente sou o filho do comandante Rocha. O instrutor ensina outras pessoas. Pessoas de referência passaram pelo meu pai, conseguiu encaminhar pessoas para empresas. Era um homem que não brincava, que era sério no trabalho. Alessandro Rocha deixou três filhos. Além de Sven, ele era pai de Maria, de 2 anos, e Benício, de apenas 3 meses. Além de Alessandro, três colombianas da mesma família morreram no acidente. Rocio Cubillos, 59 anos, Wendy Manrique, 37 (filha de Rocio), e Sofia Murillo, 17, (filha de Wendy e neta de Rocio) faziam um voo panorâmico quando ocorreu o acidente. O Corpo de Bombeiros do RJ foi acionado às 11h11 para atender a ocorrência. Destroços da aeronave, o Robinson R44 prefixo PP-MFS, da empresa VRP, foram localizados pela equipe do Grupamento de Operações Aéreas. O ponto da queda ocorreu em uma área de mata íngreme e de difícil acesso. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.