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Idoso teme perder a visão enquanto aguarda cirurgia e transplante de córnea no AC: 'Só vejo vulto'

Idoso teme perder a visão enquanto aguarda cirurgia e transplante de córnea em Rio Branco O aposentado Antônio Ivo de Souza Barros, de 65 anos, vive há mais...

Idoso teme perder a visão enquanto aguarda cirurgia e transplante de córnea no AC: 'Só vejo vulto'
Idoso teme perder a visão enquanto aguarda cirurgia e transplante de córnea no AC: 'Só vejo vulto' (Foto: Reprodução)

Idoso teme perder a visão enquanto aguarda cirurgia e transplante de córnea em Rio Branco O aposentado Antônio Ivo de Souza Barros, de 65 anos, vive há mais de quatro décadas com problemas de visão e teme ficar cego enquanto aguarda tratamento em Rio Branco. Conforme o idoso, ele já passou por um transplante de córnea no olho esquerdo, contudo, também enfrenta o avanço de uma catarata em estado já avançado, que compromete as córneas dos dois olhos. Conforme o aposentado, a medica que o atende na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) disse que uma bactéria teria comprometido as córneas ao longo dos anos, com isso, Antônio faz acompanhamento na Fundhacre e consultas particulares quando precisa de urgência. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Apesar de ter atendimento na unidade, o aposentado explicou sobre a urgência da cirurgia, visto que a catarata é uma condição em que o cristalino do olho vai ficando opaco, levando à perda progressiva da visão. Além disso, a operação dele, que foi negada duas vezes, é a principal forma de tratamento. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), que em nota, negou que o idoso tenha alguma solicitação de cirurgia ativa. "O que existe atualmente é um pedido de avaliação com especialista em córnea para reanálise do quadro clínico", disse. (Confira a nota mais abaixo) Antonio Ivo de Souza Barros disse que precisa da ajuda do filho para fazer as consultas e tarefas do dia a dia Arquivo pessoal LEIA MAIS: VÍDEO: Mãe de criança em tratamento contra o câncer mostra água de esgoto dentro de hospital infantil no Acre Família busca provar na Justiça erro médico em cirurgia de mulher que morreu com infecção no AC: 'Longa batalha' Vistoria aponta acompanhantes dormindo no chão, lotação e falhas na estrutura do PS de Rio Branco Ainda de acordo com a Sesacre, já foi solicitada uma avaliação especializada para a necessidade do idoso, com intuito de que o médico responsável possa avaliar a conduta mais adequada e segura para ser feita no procedimento de Antônio. Sem conseguir sair sozinho de casa e dependendo da ajuda do filho para fazer as consultas e tarefas do dia a dia, Antônio relata que a rotina passou a ser marcada por reclusão em casa, devido ao medo de cair nas ruas do Conjunto Paulo Cesar, onde mora, ou até sofrer acidentes por conta da baixa visão. “Eu só vejo o vulto e ainda assim é bem pouquinho. Cada tempo que vai passando a visão vai diminuindo. Tenho medo pois quando piora [a visão] não volta mais a ser o que era antes", contou o aposentado ao falar sobre o olho afetado. Transplante Segundo o servidor público Mikael Ferreira Barros, de 27 anos, filho de Antônio, o pai realizou um transplante de córnea em agosto de 2019 no olho esquerdo, após anos convivendo com o problema. Apesar da cirurgia, a visão voltou a piorar com o passar dos anos, por causa do avanço da catarata. “O transplante eu consegui pelo Sistema único de Saúde (SUS), e à época deu certo. Porém, agora a catarata é que está causando o maior problema dele. Fico triste em ver meu pai tão jovem passar por isso e seguir assim tão debilitado”, explicou. Com o passar dos anos, o aposentado contou que o olho direito também foi afetado e ele aguarda um novo transplante de córnea desde 2020. Conforme a família, Antônio segue na fila de espera para fazer a cirurgia, porém, sem previsão para realização do procedimento. O aposentado afirma que o problema começou quando ainda morava em Sena Madureira, no interior do Acre, aos 22 anos. Ele lembra que veio para capital em busca de um tratamento melhor, visto que à época, os olhos ficavam frequentemente vermelhos e já tinham manchas pela córnea. Idoso passou por um transplante de córnea no olho esquerdo, contudo, enfrenta o avanço de uma catarata nos dois olhos Arquivo pessoal Tentativas pelo SUS Ainda conforme Antônio, ele tentou fazer a cirurgia de catarata pelo SUS em duas ocasiões: em 2021 e novamente em 2024. Em ambas as vezes o procedimento, segundo ele, foi negado. O homem disse que chegou a fazer exames, mas o procedimento não ocorreu devido à complexidade do caso. “Os médicos disseram que era muito delicado fazer essa cirurgia como a minha, mas pior ainda é eu ir ficando cego a cada dia. Queria poder fazer as minhas coisas e tarefas de casa”, afirmou o aposentado. Além disso, a família relata que a única médica que acompanha o caso do idoso informou que ele precisaria de uma lente específica e de alto custo para voltar a enxergar melhor, sendo esse, segundo a família, um dos motivos pelo qual o procedimento ainda não foi feito. “Ela [médica] disse que a visão dele foi muito machucada pela doença e que o meu pai vai precisar de uma lente bem forte e cara. Acho que é por isso que eles não fizeram essa cirurgia até hoje”, contou o filho. Conforme a família, a outra opção seria tentar fazer a cirurgia na rede particular, todavia o procedimento custa cerca de R$ 11,8 mil por olho, incluindo já exames e demais taxas. Com isso, familiares criaram uma rifa e fizeram uma vaquinha para ajudar no custeio do procedimento. Ao g1, o advogado Kalebh Mota disse que foi procurado pela família do paciente devido às dificuldades deles conseguirem pelo SUS a realização da cirurgia ocular, que, segundo a defesa, precisa ser feita com urgência. A sugestão de Mota é conseguir o valor do procedimento para fazer na rede particular. "Diante da gravidade da situação e do risco real de perda da visão, busquei viabilizar uma rifa solidária. Nosso objetivo é mobilizar a população e sensibilizar as pessoas para que possamos garantir que ele faça a cirurgia o mais rápido possível, preservando sua visão e qualidade de vida", acrescentou. Medo A perda gradual da visão mudou completamente a rotina do aposentado. Antônio diz que deixou de caminhar sozinho pelas ruas porque tem medo de tropeçar, cair e até ser atropelado, visto que já tropeçou em calçadas e quase sofreu quedas mais graves. “Eu tenho medo de pisar errado e levar uma queda como já ocorreu antes, logo no começo já ocorreu muitas vezes dos carros esbarraram em mim. Eu até olho para um lado e para o outro antes de atravessar, mas não consigo ver direito", disse. Por conta das dificuldades vivenciadas pelo idoso, o filho Mikael é quem acompanha o pai nas consultas médicas e também ajuda na maior parte da rotina diária da família. “Ele não consegue mais sair sozinho. Só anda dentro de casa ou em lugares que já conhece. Então acaba que sou eu quem faz tudo para ele e para a minha mãe, que também é idosa. Ele fica muito triste de não poder fazer coisas simples”, explicou. Mesmo diante das dificuldades, Antônio mantém a esperança de conseguir fazer a cirurgia e recuperar parte da visão que foi afetada. “A doutora me deu esperança de que, se eu conseguir tirar a catarata, eu vou voltar a enxergar melhor e tenho fé que vai dar certo”, completou. Nota da Sesacre No momento, o paciente não possui solicitação de cirurgia ativa. O que existe atualmente é um pedido de avaliação com especialista em córnea para reanálise do quadro clínico. O paciente realizou um procedimento oftalmológico em 2024, porém, durante avaliações posteriores, os médicos identificaram alterações na córnea e baixa celularidade ocular, o que mudou a análise inicial sobre a possibilidade de cirurgia de catarata. Por isso, antes de qualquer definição cirúrgica, foi solicitada uma avaliação especializada para que o médico responsável valide qual é a conduta mais adequada e segura neste momento. O caso segue em acompanhamento pela regulação estadual e o paciente será encaminhado conforme disponibilidade da agenda da subespecialidade responsável. Reveja os telejornais do Acre