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O 'iceberg' de Campinas: g1 investiga 25 histórias que fazem parte do imaginário da cidade

Imagem aérea de Campinas Reprodução/EPTV O que há de verdade na história de que Campinas (SP) foi a última cidade a abolir a escravidão? O Shopping Parqu...

O 'iceberg' de Campinas: g1 investiga 25 histórias que fazem parte do imaginário da cidade
O 'iceberg' de Campinas: g1 investiga 25 histórias que fazem parte do imaginário da cidade (Foto: Reprodução)

Imagem aérea de Campinas Reprodução/EPTV O que há de verdade na história de que Campinas (SP) foi a última cidade a abolir a escravidão? O Shopping Parque Dom Pedro é mesmo o maior da América Latina? E o misterioso Pavilhão 18 da Unicamp realmente existiu? Para comemorar os 252 anos que Campinas completa nesta terça-feira (14), o g1 investigou 25 histórias que fazem parte do imaginário da cidade. O resultado está reunido em um infográfico interativo em formato de iceberg, que leva o leitor por personagens, lendas urbanas, fatos históricos e curiosidades para separar fatos de mitos e mostrar como nasceram algumas das histórias mais conhecidas da metrópole. 🔍O iceberg de informações é um formato popular na internet que organiza temas em diferentes níveis de profundidade. Na superfície, ficam os assuntos mais conhecidos e acessíveis; à medida que o leitor “mergulha”, aparecem histórias mais obscuras, curiosas ou pouco conhecidas. 🧊 Clique nos destaques do iceberg para explorar cada uma das histórias. A seguir, o g1 apresenta algumas das investigações e mostra o que a apuração revelou. O mistério do Pavilhão 18 da Unicamp A suposta existência de um laboratório secreto na Unicamp é uma das histórias que surgiram após o Caso Varginha, em 1996. A versão, difundida por pesquisadores da ufologia, afirma que as criaturas vistas em Minas Gerais teriam sido levadas pelo Exército até Campinas para serem analisadas em uma área de acesso restrito da universidade conhecida como "Pavilhão 18". Segundo Thiago de Souza, idealizador do projeto "O que te Assombra?" e pesquisador da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Abec), a narrativa diz que o espaço funcionaria no Instituto de Química e seria destinado ao armazenamento e ao estudo de seres extraterrestres. Também há relatos de que militares faziam a segurança do local. VEJA TAMBÉM: Após 30 anos, médico afirma que colega filmou cirurgia em ‘ser estranho’ dentro de hospital 'Eu vou ser sempre a menina que viu o ET': vídeos inéditos revelam a origem do caso Trinta anos depois, a história voltou a ser lembrada na série documental "O Mistério de Varginha". Na produção, o médico legista Fortunato Antônio Badan Palhares afirmou que recebeu um telefonema informando que deveria permanecer no laboratório porque o Exército levaria "um material vindo de Varginha" para análise. O envio, porém, nunca aconteceu. "Esse material não chegou até hoje", afirmou. Questionado sobre quem fez a ligação, Badan disse que não sabe quem era o responsável e que não se recorda de ter sido informado de que o material seria um extraterrestre. A Unicamp nega qualquer relação com a história. Em nota, a universidade afirmou que "esse tema continua repercutindo e acaba alimentando uma narrativa sobre algo que nunca existiu e não existe dentro da Unicamp". Segundo a instituição, embora o assunto desperte curiosidade e faça parte do imaginário popular em torno do Caso Varginha, também gera uma demanda recorrente para esclarecer situações "que não têm fundamento e que nunca fizeram parte da Universidade". Reportagem da EPTV revelou que área do subsolo da Unicamp apontada como local de laboratório secreto tinha uma casa de máquinas e tubuiações de água quente para o hospital da universidade Reprodução/TV Globo Túnel da Fepasa Construído em 1918 para ligar o Centro à Vila Industrial, o Túnel de Pedestres da Fepasa é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc). Com cerca de 200 metros de extensão, ele foi construído para facilitar a travessia dos moradores da Vila Industrial, onde viviam principalmente trabalhadores das ferrovias e das indústrias. Com o tempo, a escuridão e o isolamento do túnel deram origem a várias lendas. A mais antiga, segundo Souza, é a do Velho do Guarda-Chuva, muito conhecida nas décadas de 1950 e 1960. A história conta que um homem morreu afogado durante uma enchente e passou a aparecer em uma das entradas do túnel. Ao mesmo tempo, uma mulher misteriosa surgiria na outra extremidade. Os dois caminhariam um em direção ao outro e desapareceriam quando se encontrassem no meio da passagem. Nos anos 1990, outra lenda ganhou força: a do Fantasma do Holofote. Segundo o relato, a aparição surgia diante de quem já havia passado do chamado "ponto de não retorno". Correndo em direção aos pedestres com uma luz intensa, iluminaria o caminho, cegaria as pessoas por alguns instantes e atravessaria seus corpos antes de desaparecer. Mais tarde, a história ganhou uma versão menos assustadora. Em vez de perseguir quem passava pelo túnel, o homem do holofote passou a ser descrito como um fantasma que carregava uma lamparina para iluminar o caminho de quem iniciava a travessia. Ao chegar perto da saída, desaparecia. Túnel de pedestres na Vila Industrial, em Campinas (SP), é cercado por lendas de fantasmas João Tocchetto de Oliveira Aldo Chioratto, Gilda e mais Alguns personagens marcaram a história de Campinas e continuam vivos na memória dos moradores. Entre eles estão o escoteiro Aldo Chioratto, Gilda e Mané Fala Ó. Aldo Chioratto tinha 9 anos quando morreu durante um bombardeio à antiga Estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 18 de setembro de 1932, na Revolução Constitucionalista. Escoteiro, ele levava mensagens entre o comando militar instalado no Largo do Rosário e a estação ferroviária, de onde partiam tropas e armamentos. No dia do ataque, estava de folga e esperava um trem ao lado da mãe quando foi confundido com um soldado por um piloto da aviação federal, que lançou uma bomba sobre o local. Aldo morreu na hora. Em 1966, seus restos mortais foram levados para o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, onde é a única criança homenageada. Em Campinas, também dá nome a uma rua e ao núcleo histórico responsável pelas cerimônias do feriado de 9 de Julho. Outra figura conhecida da cidade foi Geovina Ramos de Oliveira, a Gilda. O apelido surgiu depois que ela assistiu ao filme Gilda (1946), estrelado por Rita Hayworth, e passou a se identificar com a personagem. Entre as décadas de 1940 e 1970, ficou conhecida por andar pelo Centro usando vestidos chamativos, chapéus, estolas de pele e faixas de "miss" ou "rainha". Frequentava os desfiles de 7 de Setembro, acompanhava a banda na Praça Carlos Gomes, ia ao Teatro Municipal e aos jogos do Guarani, onde usava a faixa de "Miss Bugre". Também gostava de inventar histórias sobre a própria vida. Dizia ser viúva do cantor Francisco Alves, amante de Getúlio Vargas e noiva de Orestes Quércia, que anos depois lhe doou uma casa popular. Internada em um hospital psiquiátrico em 1950, voltou a Campinas depois da alta e retomou a rotina pelas ruas. Morreu em 1974 e inspirou pesquisas, obras de artistas e um documentário. Outro personagem que faz parte da memória da cidade é João Lopes de Camargo, conhecido como Mané Fala Ó. Nascido em 1931, começou a circular pelo Centro ainda jovem, fazendo pequenos serviços e vendendo jornais. Ficou conhecido pelo bordão "Menina, fala ó pra mim", repetido para as mulheres que encontrava. Quando recebia a resposta, seguia o caminho. Apesar da abordagem curiosa, era querido por moradores e comerciantes. Mané morreu em 23 de dezembro de 2003, aos 72 anos, depois de ser atropelado no Centro. Foi sepultado no Cemitério da Saudade, onde uma placa lembra sua história, que também inspirou homenagens culturais. Aldo Chioratto foi morto durante bombardeio em Campinas Reprodução/EPTV *Estagiários sob supervisão de Gabriella Ramos. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas