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PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral

PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral Nos últimos dez anos, a Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 43 milhões em es...

PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral
PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral (Foto: Reprodução)

PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral Nos últimos dez anos, a Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 43 milhões em espécie durante operações de combate a crimes eleitorais no Brasil. Para se ter uma ideia, se as notas de R$ 100 fossem empilhadas, a torre alcançaria a altura de um prédio de 14 andares, montante que seria suficiente para construir 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS). LEIA TAMBÉM: Investigações da PF sobre corrupção eleitoral disparam e crescem quase 20 vezes desde 2016 O segundo episódio da série "O valor do voto", da GloboNews, mostra que o ano de 2024 registrou o recorde histórico dessas apreensões, com R$ 28,6 milhões confiscados, um salto significativo em relação aos pleitos anteriores, como 2022 (R$ 5 milhões) e 2020 (R$ 2 milhões). Infográfico - Apreensões em dinheiro vivo em operações contra crimes eleitorais. Arte/GloboNews A reportagem analisou 1.032 ocorrências registradas pela PF desde 2016. Rio de Janeiro, Pará e Amazonas concentram quase metade do dinheiro apreendido nesses dez anos. Infográfico - Região Norte lidera com R$ 18 milhões em valores apreendidos. Arte/GloboNews No ranking regional, o Norte lidera com R$ 18 milhões em valores apreendidos, seguido pelo Nordeste (R$ 12,8 milhões) e pelo Sudeste (R$ 10 milhões). Infográfico - Região Norte lidera com R$ 18 milhões em valores apreendidos. Arte/GloboNews O rastro do dinheiro vivo Uma das maiores operações da década ocorreu em Manaus, onde o empresário Francisco Timoteo Castro e o filho dele Victor Hugo foram flagrados sacando R$ 3 milhões em dinheiro vivo em uma agência bancária. Eles foram presos em flagrante. A família é dona de uma empresa que tem contratos com o poder público para o fornecimento de livros didáticos. Embora tenham confessado o crime de "caixa 2" para obter um acordo judicial, após o arquivamento do processo, ambos passaram a negar as acusações, e o valor milionário foi devolvido pela Justiça. Dinheiro apreendido pela PF em Manaus em uma operação contra corrupção eleitoral em 2022. Cédulas somam R$ 3 milhões Divulgação/PF Em São Lourenço do Piauí, a 500 quilômetros da capital, Teresina, o então prefeito eleito em 2020, Biraci Damasceno, conhecido como Bira, usou uma rádio local para agradecer publicamente pelo "trabalho de boca de urna" realizado no dia da eleição. A confissão foi acompanhada por áudios de seu vice, Valdeci Castro, que admitiu em conversas com moradores que Bira teria gasto cerca de R$ 1 milhão na campanha, enquanto o grupo político movimentou um total de R$ 4 milhões. Infográfico - Diálogo expõe compra de voto. Arte/GloboNews Em abril de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou a chapa, validando as provas de que o esquema desequilibrou a disputa. Mesmo após a cassação, a influência política de Bira permanece: ele atualmente ocupa o cargo de chefe de gabinete de seu sobrinho, o atual prefeito da cidade. O custo social da corrupção Enquanto milhões circulam ilegalmente em campanhas, a infraestrutura das cidades sofre as consequências. Em São Lourenço do Piauí, menos de 1% das residências possui ligação com a rede de esgoto, e o município convive com atrasos salariais de servidores. Especialistas e promotores alertam que esse dinheiro costuma ter origem em fraudes em licitações, desvios de obras públicas e, crescentemente, no crime organizado. "Isso movimenta todo um mercado ilícito. O candidato precisa ‘recuperar’ de alguma forma depois o dinheiro que está colocando na campanha. Então essa corrupção pré-eleição se transforma depois numa corrupção pós-eleição, porque o candidato vai precisar recuperar o 'investimento' feito", explica o promotor Guilherme Franchi. Para a promotora Gabriela Almeida, o comportamento dos candidatos durante o período eleitoral é o principal indicativo de como será a gestão: "O voto vai escolher uma pessoa que no futuro vai decidir a sua vida. Então, é bom que você saiba quem você está escolhendo e como ele se comporta durante o período eleitoral, pensando no futuro, quando ele assumir o cargo.”