Por que Trump reduziu os exercícios militares com a Coreia do Sul? Entenda o que está em jogo
Trump reduz exercício militar com a Coreia do Sul A ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir "drasticamente" os exercícios militares...
Trump reduz exercício militar com a Coreia do Sul A ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir "drasticamente" os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul expôs tensões entre os dois países e também com a Coreia do Norte. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os exercícios militares Ulchi Freedom Shield (Escudo da Liberdade Ulchi, UFS na sigla em inglês), que ocorrem todo ano, começaram nesta segunda-feira (17), disse o Exército sul-coreano à agência de notícias Reuters. Da esquerda para a direita: presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, e presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Mark Schiefelbein/AP/Annabelle Gordon/REUTERS/KCNA Veja abaixo perguntas e respostas sobre o caso: Qual justificativa de Trump para reduzir os exercícios militares? Qual foi a reação da Coreia do Sul? O que a decisão revela sobre as intenções de Trump? Como são os exercícios militares EUA-Coreia do Sul? Qual a relação de Trump com Kim Jong-un e por que ela é ambígua? Como são as relações entre EUA e Coreia do Sul? A Coreia do Norte é uma ameaça nuclear? Qual a justificativa de Trump para reduzir os exercícios militares? Em publicação nas redes sociais no domingo (16), Trump afirmou que "reduziu drasticamente" as manobras porque elas eram "caras e pagas majoritariamente pelos EUA", e que também "enviariam um sinal totalmente inadequado e hostil" para a Coreia do Norte. Trump afirmou que a Coreia do Norte "tem demonstrado respeito" durante seus mandatos como presidente dos EUA e que tem uma "excelente relação" com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Trump não afirmou de qual forma reduziu os exercícios militares, apenas afirmou que fez esse pedido a seu secretário de Guerra, Pete Hegseth. Na mesma postagem, Trump também citou o que viu como uma falta de apoio da Coreia do Sul no conflito contra o Irã. "Embora seja algo um tanto não relacionado (?), recentemente perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles disseram: 'Não, obrigado!'", escreveu Trump. Qual foi a reação da Coreia do Sul? A Coreia do Sul, que tem os EUA como um de seus principais aliados, reagiu com cautela. O gocerno sul-coreano disse nesta segunda (17) que está analisando os comentários de Trump e que buscaria saber mais sobre a decisão. “Esperamos que as relações amistosas entre os líderes norte-coreano e americano levem a negociações significativas entre Coreia do Norte e Estados Unidos e ao início de discussões destinadas a promover a paz e a estabilidade na Península Coreana”, afirmou o gabinete do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. O que a decisão revela sobre as intenções de Trump? A diretora do 38 North, programa de estudo da Coreia do Norte do think tank Stimson Center, Jenny Town, afirmou à Reuters acreditar que a redução da magnitude dos exercícios militares dá uma mostra das tensões entre EUA e Coreia do Sul atualmente. "Não é assim que se trata um aliado", afirmou Town. Segundo Town, a declaração de Trump gerou confusão para ambas as Coreias por conta da falta de clareza e pelo quão repentina foi. A analista acredita que a fala pode ter relação com uma intenção de Trump em busca retomar as negociações com a Coreia do Norte e um novo encontro com Kim Jong-un. Town acrescenta, no entanto, que falta clareza sobre as reais intenções do presidente dos EUA. Como são os exercícios militares EUA-Coreia do Sul? O Ulchi Freedom Shield (UFS) é um dos dois grandes exercícios militares realizados anualmente entre EUA e Coreia do Sul. Cada um ocorre em um semestre do ano, e o UFS geralmente é realizado na segunda quinzena de agosto. O UFS é um exercício coordenado de caráter defensivo, que inclui treinamentos de combate real, simulações e exercícios de campo. Soldados norte-americanos e da sul-coreanos atuam em exercício militar terrestre na Coreia do Sul em julho de 2026. Marcus Henson/Exército dos Estados Unidos O capitão Jang Doyoung, comandante do Estado-Maior Conjunto sul-coreano, afirmou à Reuters que cerca de 18 mil soldados do país participarão dos exercícios militares - número semelhante ao de anos anteriores. Ainda não se sabe quantos soldados norte-americanos vão participar. Em 2025, participaram cerca de 21 mil militares de ambos os países. Segundo autoridades militares sul-coreanas, os exercícios deste ano incluirão treinamentos para combater drones, interferências no GPS e ataques cibernéticos, em resposta à evolução das capacidades da Coreia do Norte. Uma autoridade norte-americana afirmou à Reuters que as manobras se concentrarão na defesa da Coreia do Sul e nas ameaças à península coreana, destacando possíveis aprendizados da Coreia do Norte com a guerra da Ucrânia e as mudanças na natureza da guerra moderna, como sistemas não tripulados, guerra eletrônica e operações cibernéticas. Qual a relação de Trump com Kim Jong-un e por que ela á ambí? Trump e Kim já no território da Coreia do Sul, neste domingo (30). Susan Walsh/AP Trump considera Kim Jong-un um "amigo", como ele mesmo descreveu diversas vezes. O presidente norte-americano se encontrou três vezes com o norte-coreano entre 2018 e 2019, durante seu 1º mandato na Casa Branca. Trump buscava a desnuclearização da Coreia do Norte, porém não conseguiu um acordo com Kim. O contexto geopolítico, no entanto, torna essa relação ambígua. Isso porque a Coreia do Norte é um dos principais aliados da Rússia e mantém uma parceria estratégica com a China, duas potências que disputam influência global com os Estados Unidos. Desde o início da guerra na Ucrânia, Pyongyang aprofundou sua cooperação com Moscou, enviando milhares de soldados para apoiar as forças russas e fornecendo mísseis e munição ao Kremlin. No caso da China, Xi Jinping tem procurado reforçar seus laços com Kim Jong-un, especialmente diante da aproximação entre os norte-coreanos com a Rússia. O líder chines inclusive visitou a Coreia do Norte em junho, no intuito de lembrar Kim de que seu principal aliado continua sendo a China. Como são as relações entre EUA e Coreia do Sul? EUA e Coreia do Sul têm uma relação bilateral estreita: Seul é um dos maiores aliados de Washington na Ásia, junto com o Japão. A Coreia do Sul é o 3º país no mundo com maior presença militar norte-americana no exterior, com oito bases militares e mais de 23 mil soldados estacionados do país. Nos últimos meses, no entanto, Trump tem dado diversas demonstrações públicas de insatisfação com o governo de Jae-myung. A mais recente no próprio domingo, quando citou a recusa da Coreia do Sul em se envolver no conflito contra o Irã. A Coreia do Norte é uma ameaça nuclear? A Coreia do Norte é um dos nove países do mundo que têm armas nucleares (veja mapa abaixo), e Kim Jong-un vem acelerando o desenvolvimento de seu arsenal atômico nos últimos anos. O país asiático possuía cerca de 50 ogivas nucleares em janeiro de 2025, segundo levantamento mais recente do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri). O líder norte-coreano protestou diversas vezes nos últimos dias contra os exercícios militares entre EUA e os rivais sul-coreanos. Na semana passada, Kim chegou inclusive a ameaçar o vizinho com "poder militar impossível de sobreviver" e lançou um míssil balístico em direção ao mar do Japão. Infográfico mostra os 9 países com ogivas nucleares no mundo e o tamanho do arsenal de cada um. Kayan Albertin/Arte g1