Prefeitura de Bauru exonera investigados por fraude licitatória em operação do Gaeco
Operação Cavalo de Troia do Gaeco prende secretários da Prefeitura de Bauru A Prefeitura de Bauru anunciou a exoneração de quatro investigados na operaçã...
Operação Cavalo de Troia do Gaeco prende secretários da Prefeitura de Bauru A Prefeitura de Bauru anunciou a exoneração de quatro investigados na operação "Cavalo de Tróia", deflagrada nesta quarta-feira (9) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A ação apura suspeitas de fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos do município. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Operação do Gaeco, com a apoio da PM, cumpriu diligências em secretarias municipais em Bauru Luís Negrelli/ TV TEM Durante a operação, equipes do Gaeco cumpriram mandados de busca e apreensão em secretarias municipais. Ao todo, sete pessoas foram presas, entre elas dois secretários municipais e uma secretária-adjunta. Em nota oficial, a administração municipal confirmou a exoneração dos seguintes servidores públicos Vitor João de Freitas Costa, titular da Secretaria de Negócios Jurídicos Cilene Chabuh Bordezan, titular da Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal Sara Moura de Jesus, secretária-adjunta de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal Roldão Neto, coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente Ainda no comunicado, o Poder Executivo informou que as novas nomeações serão divulgadas em breve e assegurou a continuidade dos serviços prestados à população e o funcionamento regular da administração municipal. (Confira a íntegra do comunicado ao final da reportagem). Segundo apuração da TV TEM, durante as diligências do Gaeco foram apreendidos R$ 240 mil em espécie na casa do ex-secretário de Negócios Jurídicos, Vitor João de Freitas Costa. Em paralelo, a Câmara Municipal de Bauru instaurou um pedido de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os contratos, licitações e pagamentos vinculados à Secretaria do Meio Ambiente. O requerimento atingiu dez assinaturas, superando o mínimo de sete exigido pelo regimento interno, o que garante a abertura automática da CEI para investigar a atuação de agentes públicos e empresas na próxima sessão legislativa, marcada para segunda-feira (14). Busca e apreensão Denominada Cavalo de Troia, a ação tem como objetivo apurar a suspeita de fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos do município de Bauru. Em conjunto, houve o cumprimento de diligências também na Operação Mobius, visando a esclarecer irregularidades no contrato de coleta seletiva. Equipes do Gaeco com apoio da Polícia Militar realizaram a operação em secretarias municipais de Bauru Luís Negrelli/ TV TEM Durante a manhã, foi registrada grande movimentação na sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que fica na Rua Wenceslau Braz. No prédio, também funcionam outras secretarias. Os funcionários e servidores foram dispensados durante esta manhã. Sete pessoas foram presas na ação, sendo cinco em Bauru e duas em São Paulo. Segundo apurado pela reportagem da TV TEM, são elas: Vitor João de Freitas Costa, secretário de Negócios Jurídicos Cilene Bordezan, secretária de Meio Ambiente Sara Moura de Jesus, secretária adjunta de Meio Ambiente Gisele Moretti, presidente da Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam) Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário Hamilton Libório Agle, proprietário da Estre Ambiental Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da Estre Ambiental Também houve o afastamento pela Justiça de Roldão Neto, que era coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente. A reportagem do g1 e da TV TEM tenta o contato com a defesa dos envolvidos. Cavalo de Troia O nome da operação, Cavalo de Troia , faz referência à principal estratégia identificada durante as investigações que foi a atuação na administração municipal de uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa beneficiada no processo. Secretaria do Meio Ambiente foi um dos alvos da operação do Gaeco em Bauru Luís Negrelli/ TV TEM De acordo com o Gaeco, a partir dessa posição estratégica, interesses privados teriam passado a influenciar internamente a formatação e a condução do procedimento, permitindo que decisões formalmente públicas fossem discutidas e preparadas em articulação com representantes empresariais. A investigação encontrou também, na estrutura da secretaria, outra profissional anteriormente vinculada à empresa alvo dos trabalhos desta quarta. Segundo o apurado, a contratação tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, em números de fevereiro atualizados de 2026. O valor seria a maior contratação pública já projetada na história de Bauru. O esquema A investigação indica que a fraude não se limitava à inclusão de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído por camadas, desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, a preparação de documentos oficiais e a reação diante de impugnações e potenciais concorrentes. A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada. As apurações apontam, ainda, a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada. Foram identificados indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos, interferência na elaboração de manifestações administrativas e estratégias destinadas a reduzir a competição e preservar o direcionamento do processo de licitação. Ficou igualmente demonstrada uma tentativa de expansão do esquema para a cooptação de agentes públicos e a neutralização de mecanismos de controle. Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão. Comunicações interceptadas revelaram planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas, com o objetivo de obter informações privilegiadas e viabilizar a oferta de vantagens indevidas. Essas investidas integram, segundo a investigação, uma arquitetura mais ampla de aproximação, influência e possível corrupção de diversos agentes públicos, inclusive em projetos de outros municípios, também com valores bilionários. A operação tem o objetivo de apurar os crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa. O que diz a prefeitura? A Prefeitura de Bauru informa que respeita integralmente a atuação do Ministério Público do Estado de São Paulo e as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), permanecendo à disposição das autoridades para colaborar com o fornecimento de documentos, informações e todos os esclarecimentos necessários. A Administração Municipal esclarece, ainda, que, conforme os elementos conhecidos e as informações tornadas públicas até o momento, não há qualquer apontamento de participação ou envolvimento da Chefe do Poder Executivo Municipal. Diante da gravidade das informações tornadas públicas e das medidas judiciais em curso, foram exonerados de seus cargos a secretária municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Cilene Chabuh Bordezan; o secretário de Negócios Jurídicos, Vitor João de Freitas Costa; e a secretária-adjunta de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Sara Moura de Jesus. O coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Roldão Neto, também foi exonerado do cargo de coordenação. As novas nomeações serão divulgadas oportunamente, assegurando a continuidade dos serviços públicos e o regular funcionamento da Administração Municipal. A Prefeitura informa também que todos os contratos, procedimentos e vínculos mencionados nas investigações estão sendo submetidos às providências administrativas cabíveis, com a abertura de procedimentos de apuração rigorosa, observadas a natureza jurídica de cada instrumento e a legislação aplicável. O Município seguirá colaborando integralmente com as investigações e adotando todas as medidas administrativas e legais necessárias para preservar o interesse público, a integridade da gestão e a confiança da população. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região