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Quase um terço dos adultos nas capitais tem sintomas de insônia; especialistas alertam para riscos à saúde

Fantástico mostra as causas e os caminhos para derrotar a insônia "São 4h12 da manhã e aqui estou eu, sem conseguir dormir." A frase resume a rotina de Patr...

Quase um terço dos adultos nas capitais tem sintomas de insônia; especialistas alertam para riscos à saúde
Quase um terço dos adultos nas capitais tem sintomas de insônia; especialistas alertam para riscos à saúde (Foto: Reprodução)

Fantástico mostra as causas e os caminhos para derrotar a insônia "São 4h12 da manhã e aqui estou eu, sem conseguir dormir." A frase resume a rotina de Patrick, de 35 anos, um entre os milhões de brasileiros que enfrentam a insônia. Enquanto a madrugada avança, ele continua acordado, observando o relógio e tentando vencer um problema que afeta seu trabalho, sua disposição e sua qualidade de vida. Especialistas alertam que a insônia vai muito além do desconforto de uma noite mal dormida e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, AVC e demência. No Brasil, quase um terço dos adultos que vivem nas capitais apresenta algum sintoma de insônia. O transtorno é caracterizado pela dificuldade para iniciar ou manter o sono, acompanhada de cansaço, fadiga e prejuízos nas atividades do dia a dia. Quando esses sintomas ocorrem pelo menos três vezes por semana durante três meses, a recomendação é procurar tratamento especializado. Noites em claro e dias de exaustão Hoje trabalhando com reabilitação física, principalmente de idosos, Patrick diz que passa boa parte das noites acordado. "Quando chega próximo no meu horário de levantar, aí que é pior, porque eu fico olhando a hora, de hora em hora, para não perder o meu tempo", conta. O impacto da privação de sono já chegou ao ambiente de trabalho. "Estava com tanto cansaço que meu olho fechou na hora", relata ao lembrar de um atendimento em que um paciente com Alzheimer quase caiu após um momento de exaustão. A situação de Vitória, de 30 anos, também preocupa. Artista plástica, designer de joias e modelo, ela convive com dificuldades para dormir desde a infância e sente os efeitos principalmente ao acordar. Segundo ela, a falta de descanso adequado afeta o humor e reduz a disposição ao longo do dia. "Eu me sinto fraca. Eu me sinto como se tivesse drenado minha energia", afirma. Quando desperta durante a madrugada, voltar a dormir nem sempre é fácil. "A minha cabeça fica a mil. Eu lembro de alguma coisa que tenho que fazer, de uma coisa que deixei de fazer", conta. O cérebro em estado de alerta Segundo os especialistas, parte do problema está relacionada ao estilo de vida moderno. O cérebro possui um relógio biológico que sincroniza o organismo com a alternância entre dia e noite. Mas a exposição constante à iluminação artificial e às telas pode confundir esse mecanismo natural. Celulares, tablets e computadores estimulam o cérebro justamente no momento em que ele deveria começar a desacelerar. Como resultado, o organismo permanece em estado de alerta e a chegada do sono se torna mais difícil. Após avaliar os dois pacientes, o psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, concluiu que ambos precisavam de tratamento. "Os dois precisam de tratamento, em especial tratamento comportamental", afirma. O especialista destaca que os remédios não são a primeira opção. "A medicação não vem antes das medidas comportamentais", explica."Ela só aparecerá como indicação se algumas dessas técnicas falharem." O que ajuda a combater a insônia Durante dez dias, Patrick e Vitória seguiram uma série de orientações dos especialistas. Entre elas estavam evitar telas por pelo menos duas horas antes de dormir, reduzir o consumo de café no fim do dia, manter horários regulares para acordar e aumentar a exposição à luz natural. Para Vitória, uma das mudanças mais importantes foi acordar sempre no mesmo horário. Segundo o médico, a exposição à luz pela manhã ajuda o organismo a iniciar uma espécie de contagem regressiva para a próxima noite de sono. Já Patrick foi encaminhado para terapia cognitivo-comportamental para insônia, considerada atualmente o tratamento de primeira linha para muitos pacientes. A psicóloga Kidsay Souza, especialista na área, explica que o trabalho envolve mudar a relação do paciente com o sono. "A terapia do sono vai trabalhar a relação do paciente com a cama, os pensamentos que ficam na hora de dormir, os aspectos emocionais e aquela ansiedade que o paciente fica de ter que dormir", afirma. A faxina que acontece durante o sono Nos últimos anos, a ciência avançou na compreensão dos efeitos da privação de sono sobre o cérebro. Pesquisas mostram que, durante o sono profundo, entra em ação um sistema responsável por remover resíduos e toxinas que se acumulam ao longo do dia. Quando a pessoa dorme mal de forma recorrente, esse processo de limpeza fica comprometido. O resultado pode ser o acúmulo de proteínas associadas ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O neurologista Diego Carvalho afirma que os riscos vão além da saúde cerebral. "A insônia está associada com problemas cardiovasculares também, aumento do risco de ter um AVC, um derrame, ou de ter um problema cardíaco", explica. Segundo ele, estudos também apontam que pessoas acima dos 60 anos com insônia crônica apresentam risco significativamente maior de desenvolver demência nos anos seguintes. Mudanças que fizeram diferença Ao final dos dez dias de acompanhamento, os dois participantes relataram melhora. Quando questionada sobre a principal transformação percebida no período, Vitória respondeu sem hesitar: "Disposição." Já Patrick disse ter recuperado a confiança de que pode voltar a dormir melhor sem depender exclusivamente de medicamentos. "Eu me senti muito esperançoso de eu conseguir dormir sem medicamento", afirmou. Especialistas ressaltam que quem sofre de insônia pode procurar ajuda pelo SUS, que oferece acompanhamento, terapias e encaminhamento para especialistas quando necessário. A principal mensagem, segundo os médicos, é que dormir bem não é um luxo, mas uma necessidade fundamental para a saúde do cérebro e de todo o organismo. Fantástico mostra as causas e os caminhos para derrotar a insônia Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.