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Salles se descreve como liberal na economia, conservador nos costumes e diz que 8 de janeiro 'foi uma baderna'

Ricardo Salles (Novo), candidato ao Senado por São Paulo, durante entrevista ao programa Mathias TV, exibido no YouTube nesta quinta-feira (20) Reprodução/Yo...

Salles se descreve como liberal na economia, conservador nos costumes e diz que 8 de janeiro 'foi uma baderna'
Salles se descreve como liberal na economia, conservador nos costumes e diz que 8 de janeiro 'foi uma baderna' (Foto: Reprodução)

Ricardo Salles (Novo), candidato ao Senado por São Paulo, durante entrevista ao programa Mathias TV, exibido no YouTube nesta quinta-feira (20) Reprodução/Youtube Mathias TV O deputado federal Ricardo Salles (Novo), candidato ao Senado por São Paulo, afirmou durante entrevista ao programa Mathias TV, exibido no YouTube nesta quinta-feira (20), que se considera representante de uma direita “liberal na economia e conservadora nas questões de comportamento”. Segundo ele, esse modelo deve reduzir o tamanho do Estado, diminuir a carga tributária e abrir espaço para o empreendedorismo. Salles também afirmou que não se identifica com uma direita “Orlando Geisel”, em referência ao ex-ministro da ditadura militar, mas com o economista Roberto Campos. Ao explicar sua visão política, Salles citou ainda referências internacionais e brasileiras. “Portanto, essa é a minha direita, é a direita que se inspira muito no que foi um governo olhando para fora, né? O governo do Ronald Reagan nos Estados Unidos, Margaret Thatcher, Winston Churchill, com algumas diferenças mais históricas, mas está ali um Roberto Campos, né? O velho Bob Fields e muitas coisas. Então, essa é a minha direita, a minha direita. Ela não é antidemocrática de maneira nenhuma. Ela não é estatizante de maneira nenhuma. Sou totalmente contra”, afirmou. Candidatura de Salles ao Senado racha direita em SP e expõe tensão com aliado de Tarcísio Ao falar sobre os adversários na disputa pelo Senado por São Paulo, Salles atacou nomes da esquerda e da direita. Ele criticou Simone Tebet (MDB-MS) e Marina Silva (Rede-SP), que, segundo ele, são da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não conhecem o estado. “Nenhuma das duas da base do Lula conhece nada do estado de SP, estão vindo de forma oportunista, e pelo mal desempenho”, afirmou. Em seguida, Salles fez críticas específicas às duas candidatas. “Eu fui até a Reserva Chico Mendes e eles odeiam Marina. A Simone traiu o agro do Mato Grosso do Sul, foi pro governo que chamou corrupto. Elas não sabem nada de São Paulo, não conhecem nada”, disse. O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) Câmara dos Deputados Na avaliação de Salles, André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), também não representa a direita. O deputado chamou Prado de “filhote do Valdemar da Costa Neto” e criticou a atuação política do presidente nacional do PL. “Aí temos o filhote do Valdemar da Costa Neto, o André do Prado, favoritinho do preso por corrupção. Um dos frutos de vida do Valdemar é o André do Prado. Alguém que foi apoiador da Dilma, Mercadante, Suplicy, João Doria, se juntou ao PT para ser presidente. Não tem cabimento. Poderia concorrer, mas não como alguém da direita”, afirmou. Salles também criticou o grupo ligado a Valdemar dentro do PL. Segundo ele, parte dos políticos que chegaram ao partido depois da entrada de bolsonaristas teria adotado um perfil de atuação associado ao Centrão. “Na direita você tem o grupo dos bolsonaristas, que foram para o PL, mas quem manda no PL é a turma do Valdemar. Quem entrou depois, adotou o modus do Valdemar, que é Centrão, que é caneta, cargo. Os valdemaristas foram cassados por desvio de emenda parlamentar. E o próprio Valdemar se envolveu em escândalo. Um terço do PL vota no PT”, disse. Salles também afirmou que Valdemar “é quem manda no PL, indiscutivelmente”. Sobre a escolha de Prado para a disputa ao Senado, disse que ela ocorreu porque o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não o teria escolhido como vice. “André do Prado foi escolhido porque o Tarcísio não o quis como vice. Valdemar fez pressão enorme, mas Tarcísio sabe como é essa turma. André do Prado não é direita nunca”, afirmou. Apesar das críticas a Prado, Salles elogiou outro nome do campo da direita: o ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL). “Derrite é um bom candidato, secretário de segurança que se dedicou muito. Ele tem muitas qualidades. Se tem dois senadores que a direita pode escolher são Derrite e eu”, declarou. Ao falar sobre sua própria candidatura, Salles disse que poderia se reeleger deputado federal, mas optou pela corrida ao Senado. “São Paulo está muito mal representado. Eu me relegeria como deputado com tranquilidade. Paulista como sou, eu amo São Paulo. Sou brasileiro, mas acima de tudo sou paulista. São Paulo é tratado como último vagão do trem em Brasília”, disse. Em relação às investigações da operação Akuanduba sobre exportação de madeira ilegal, que teve entre os alvos o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, o candidato ressaltou que foi acusado injustamente. "É uma indústria de bravata. Eu tive problemas. Quando era ministro, fui injustamente acusado de adotar medidas para facilitar contrabando de madeira. Eu que nunca tinha pisado na Amazônia. Tudo mentira. Os processos de desmonte ilegal foram julgados improcedentes". Anistia Salles também defendeu a anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Para ele, os ataques foram “uma baderna” e “inaceitáveis para um país de direita”, mas não configuraram uma tentativa de golpe de Estado. O deputado citou o caso de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom", condenada a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou a pena como desproporcional. “8 de janeiro foi uma baderna, inaceitável para um país de direita, mas não foi golpe de Estado. A Débora do Batom ser condenada a 14 anos de prisão é de uma desproporcionalidade”, afirmou. Salles também disse se surpreender com o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ter concedido anistia aos condenados. “Me surpreendo porque o Lula não deu a anistia”, disse. Segundo ele, a medida poderia contribuir para “apazigu“apaziguar o país”, como, na avaliação dele, Lula teria prometido durante a campanha eleitoral. Tarcísio e Haddad têm evoluções patrimoniais semelhantes e mantêm perfis conservadores de investimentos