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Tarcísio de Freitas, do Republicanos, é reeleito governador de São Paulo

Tarcísio é reeleito governador em SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), ao derrotar Fernando Haddad ...

Tarcísio de Freitas, do Republicanos, é reeleito governador de São Paulo
Tarcísio de Freitas, do Republicanos, é reeleito governador de São Paulo (Foto: Reprodução)

Tarcísio é reeleito governador em SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), ao derrotar Fernando Haddad (PT) pela segunda vez consecutiva em uma eleição estadual. Com 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% de Haddad, o governador mantém o comando do estado mais populoso do país para um novo mandato. O resultado foi confirmado às 19h39, com 90% das urnas apuradas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em 2026, os dois repetiram a disputa de 2022, mas em uma configuração diferente. Se há quatro anos Tarcísio e Haddad precisaram avançar ao segundo turno para decidir a eleição, desta vez os dois chegaram à reta final do primeiro turno como os principais nomes da corrida, sem outro candidato com representatividade no Congresso Nacional disputando a eleição com eles. O resultado foi uma campanha de primeiro turno com características de segundo turno. A diferença entre os dois também foi diferente de quatro anos atrás. Em 2022, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno por 55,27% a 44,73% dos votos válidos, uma diferença de 10,54 pontos percentuais. Em 2026, a distância foi maior, de 26,63 pontos percentuais. Tarcísio tem 51 anos, é natural do Rio de Janeiro, e foi ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro. (leia perfil abaixo). Tarcísio vota em SP Marília Barbosa/g1 O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante ato de campanha em São Paulo em 2026. Caiuá Maia/Divulgação Como foi a campanha Com poucos candidatos competitivos e sem grandes oscilações nas pesquisas ao longo da campanha, os dois concentraram a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, enquanto a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ocupou parte crescente do debate político no estado. Haddad passou o início do ano, antes da pré-campanha, dizendo que não gostaria de ser candidato e que preferia trabalhar na campanha de Lula, que busca mais um mandato. No fim, foi convencido pelo presidente e deixou o cargo no governo para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Ao longo desse período, as pesquisas mostraram poucas mudanças no cenário: Haddad permaneceu na faixa dos 20% das intenções de voto, enquanto Tarcísio aparecia na casa dos 40%, até os últimos Datafolhas que levaram o petista à casa dos 30% e o governador aos 50% dos votos totais. O número reduzido de candidatos competitivos na disputa ao Palácio dos Bandeirantes neste ano e a polarização entre bolsonaristas e petistas fizeram com que as militâncias dos dois lados não se empolgassem com a disputa estadual, focando mais uma vez as discussões para a eleição presidencial e também para a disputa das duas vagas de senador pelo estado, que segue empatada tecnicamente entre quatro candidatos. Comemoração da reeleição de Tarcísio de Freitas Letícia Dauer/g1 À medida que as pesquisas indicavam a disputa com chances de ser liquidada no primeiro turno, por causa da presença de apenas dois candidatos competitivos, e a liderança folgada do governador Tarcísio de Freitas, apoiado principalmente pela cristalização do voto conservador do interior do estado, a disputa estadual foi perdendo espaço para os demais cargos em disputa neste ano, principalmente para Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A campanha começou com uma sequência de problemas que poderiam ter alimentado o debate sobre a gestão estadual. Em maio, um acidente em uma obra da Sabesp matou quatro pessoas na Zona Oeste de São Paulo. No fim de junho, um trem da concessionária Trívia Trens pegou fogo e, em meio à crise nas linhas operadas pela empresa, houve a devolução temporária da concessão para a CPTM. Apesar dos episódios, o clima da disputa estadual esfriou ao longo da campanha. Segundo o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os escândalos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e do filme "Dark Horse" e as brigas dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) contribuíram para tirar o foco das pautas locais e esvaziar a corrida para o Palácio dos Bandeirantes em 2026. "O quadro nacional obviamente afetou São Paulo. E o Tarcísio também procurou ficar distante desse processo por conta da posição confortável dele na pesquisa e dos escândalos envolvendo o Flávio. Tanto que ele não apoiou Flávio Bolsonaro de maneira tão enfática, o que fez apenas nessa reta de chegada e evitou participar de debate público", disse. "O Tarcísio manteve distância do Flávio para o Flávio não puxá-lo para baixo. E, ao mesmo tempo, também a posição confortável dele [nas pesquisas] recomendava que ele não saísse do debate local. Os escândalos, tanto o Vorcaro como o Dark Horse e todas as questões do Supremo, ocuparam a agenda nacional, em tudo quanto é lugar. (...) Isso acabou afetando a agenda estadual e tomando espaço para a discussão dos problemas locais do estado", explicou Carvalho. cientista político e sociólogo Antonio Lavareda afirma que "a campanha terminou sendo nacionalizada, até pelo fato de o candidato oposicionista [Haddad] ser o ex-ministro da Fazenda" do governo Lula (PT). Por outro lado, a resistência do próprio Fernando Haddad em assumir novamente a candidatura ao governo de São Paulo, diante de um cenário considerado difícil para o PT no estado, também contribuiu para uma campanha petista com menor mobilização, segundo especialistas ouvidos. ⁠"A demora da oposição em definir um nome sempre ajuda aquele que busca a reeleição , porque diminui na prática o tempo da pré-campanha, possibilitando ao mesmo seguir sem sofrer maiores ataques, capitalizando a todo vapor, sem contestação direta, a 'vantagem do incumbente'", disse Antonio Lavareda. O cenário de uma eleição decidida no primeiro turno também levanta uma discussão sobre a estratégia do PT em São Paulo: o resultado reforça a dificuldade histórica da esquerda no estado ou a escolha de Haddad como candidato contribuiu para reduzir as chances de levar a disputa ao segundo turno? Para o especialista, a explicação pode estar menos na força do eleitorado conservador ou na escolha isolada do candidato e mais na estratégia adotada pelo partido. “Pode ter sido um erro de estratégia optar por fazer uma disputa binária contra um governador com aprovação elevada. Com mais candidatos, pelo menos um outro com peso razoável e posicionamento mais ao centro, poderia ter sido maior a chance de ocorrer um segundo turno. Imaginar que eleitores em quantidade suficiente desgarrariam de Tarcísio e atravessariam a rua para endossar Haddad foi uma aposta implausível. A expressão eleitoral do ex-governador Márcio França, ao que parece, terminou sendo desperdiçada na vice do petista", afirmou Lavareda. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) disputam pela 2ª vez o cargo de governador de SP neste domingo (4). Montagem/g1/Divulgação/TV Globo Números e temas A campanha de 2026 foi marcada pela tentativa de Tarcísio de apresentar os resultados de sua primeira gestão e, ao mesmo tempo, manter a associação política com o campo bolsonarista. Haddad, por sua vez, procurou explorar problemas da administração estadual e nacionalizar a disputa ao relacionar Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segurança pública esteve entre os principais temas. A campanha de Haddad passou a questionar a atuação do governo estadual diante da presença de facções criminosas e a fazer críticas a relações políticas de aliados de Tarcísio com pessoas suspeitas de ligação com o PCC. O tema chegou ao último debate, realizado pela Globo na terça-feira (29). Haddad falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior e acusou o PCC de se infiltrar em instituições públicas e privadas. Tarcísio rebateu citando a redução de indicadores criminais durante sua gestão e atacou relações de políticos ligados ao PT com pessoas investigadas. A disputa também foi nacionalizada. Haddad associou Tarcísio ao governo Bolsonaro e criticou a condução da pandemia durante a gestão do ex-presidente. Tarcísio, por outro lado, levou para o debate críticas ao governo Lula e à atuação de Haddad como ministro da Fazenda. Sabesp vira um dos principais símbolos da disputa A privatização da Sabesp foi outro dos principais temas da campanha. Haddad fez da empresa uma das principais bandeiras de sua candidatura e criticou a privatização realizada durante o governo Tarcísio. O petista falou sobre tarifas, abastecimento e episódios recentes envolvendo a prestação do serviço e defendeu rever a privatização. Tarcísio passou a defender os resultados da empresa e argumentou que a privatização aumentou a capacidade de investimento. No último debate, Haddad citou problemas recentes de abastecimento e uma orientação da Sabesp relacionada ao consumo de água na Baixada Santista. Tarcísio rebateu dizendo que não havia problema de potabilidade e que a situação estava relacionada à turbidez provocada pelas chuvas. A privatização da companhia também apareceu como um dos pontos de contraste entre os dois projetos. Na televisão, Haddad prometeu rever privatizações realizadas durante a atual gestão, enquanto Tarcísio concentrou sua propaganda nos resultados e nas entregas de seu governo. Saúde e educação também foram alvo de ataques A saúde foi outro tema recorrente. Haddad criticou filas e problemas no atendimento e apresentou propostas para ampliar a oferta de serviços. Tarcísio respondeu destacando medidas adotadas durante sua gestão, como investimentos em saúde digital e telemedicina. No debate final, Haddad também atacou o governo estadual pela situação de crianças atípicas nas escolas. Tarcísio rebateu destacando resultados da política educacional e o chamado selo ouro concedido pelo Ministério da Educação a São Paulo. Educação, transporte e infraestrutura completaram a lista de temas estaduais discutidos pelos dois. A campanha de Haddad também explorou concessões e privatizações de serviços públicos, enquanto Tarcísio apresentou obras e investimentos como marcas de sua administração. Quem é Tarcísio Engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas entrou na política eleitoral em 2022, quando foi escolhido por Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo pelo Republicanos. Naquele ano, ao disputar sua primeira eleição, venceu Haddad no segundo turno e se tornou o primeiro governador do estado eleito pelo partido. No governo paulista, manteve proximidade política com Bolsonaro e consolidou uma posição de liderança no campo da direita em São Paulo. Ao longo do primeiro mandato, sua gestão teve como uma das principais marcas a agenda de concessões e privatizações, incluindo a Sabesp, além de investimentos em infraestrutura. Na campanha de 2026, Tarcísio procurou equilibrar a associação com o bolsonarismo com a defesa de seu próprio governo. O governador também buscou ampliar sua presença na Grande São Paulo. A campanha foi aberta em Osasco, quinto maior colégio eleitoral do estado, numa estratégia para avançar sobre uma região em que Haddad havia tido desempenho melhor em 2022. A segurança pública ganhou espaço no programa de governo para o segundo mandato, aparecendo como o primeiro dos dez eixos apresentados pela campanha, à frente de saúde e educação. Haddad tentou novamente o governo paulista Esta foi a segunda vez que Haddad, de 63 anos, disputou o governo de São Paulo. Antes disso, ele foi prefeito da capital entre 2013 e 2016 e ministro da Educação nos governos Lula e Dilma Rousseff. Também disputou a Presidência da República em 2018 e, posteriormente, assumiu o Ministério da Fazenda no terceiro governo Lula. Na campanha de 2026, Haddad priorizou segurança pública, educação, saúde, mobilidade e a crítica às privatizações, especialmente da Sabesp. Também percorreu cidades do interior durante a pré-campanha, numa tentativa de ampliar a presença do PT para além da capital e da Grande São Paulo. A segurança foi apresentada como uma das prioridades do candidato, em uma área tradicionalmente associada ao discurso da direita. Haddad também tentou explorar o desgaste provocado por problemas em serviços públicos e questionar os resultados apresentados por Tarcísio.